REMINISCÊNCIAS

           Na década de 30, mais precisamente em 1936, começava a prática do esporte da vela em alagoas. (iatismo) Nesta época predominava o esporte do remo. No dia 20 de janeiro, dia consagrado a São Sebastião, houve a primeira regata a vela na enseada da Pajuçara, organizada pelo, então diretor náutico do Clube de Regatas Brasil, Antonio Bessa Filho. Tomaram parte dezoito barcos de diferentes tamanhos e feitios, obedecendo apenas o formato da vela do tipo “Aza de Morcego” (Catraia).       Nesta regata foi lançado pelo Dr. Cecil Brooderod e seu pai, um barco tipo Trimaran, com o nome de Yack. (todos os barcos eram construídos de sarrafos de madeira e forrados de lona ou saco de farinha do reino como era chamado) hoje farinha de trigo. Eram todos bem pintados com várias mãos de tinta que ficavam bastante rígidos parecendo cobertos de madeira. A vela era construída de algodãozinho que se portava muito bem naquele tipo de embarcação

 A regata foi ganha pelo barco Good Life pilo­tado pelo saudoso Helvecio Souza.

          A garagem de barcos na orla da praia da Pajuçara era o principal ponto de reuniões dos associados do CRB, e onde se formavam as guarnições de remadores, que na década de 30 estava no seu apogeu. A garagem era construída de madeira e posteriormente de alvenaria, inaugurada em 1935. Era administrada pelo Sr. Pedro Lopes, o velho Pedro Colírio, apelido dado pelo Gonzaguinha um jovem associado do Clube.

          Às cinco horas da manhã saiam várias guarnições de remadores como Caio Porto, Lula Pinto, Zé Leão, Teobaldo Pacheco, Brederodes, Ayala Prazeres e tantos outros velhos e novos remadores. Nós que vivíamos aquela época, sentimos hoje que aquele era o verdadeiro clube de regatas Brasil de tantas glórias. No futebol quando o técnico Franz Gaspar, anos depois, comandou suas equipes, o CRB galgou o ponto culminante de sua vida futebolística, conseguindo inúmeros campeonatos consecutivos, pois no campo havia uma verdadeira escola de craques da bola. Naquela época jogava-se futebol desinteressadamente e a maioria dos seus atletas como também o CSA, eram os sócios do clube, que muitas vezes compravam seu próprio material esportivo. Esse tempo passou...

          Dr. Cecil Broderood foi o iniciador dos barcos construídos de madeira, logo seguido pelo Sr. Ernani Marinho, dando este último, sem dúvida alguma, um grande impulso para o iatismo alagoano. Posteriormente os irmãos Costa Luiz e Antonio construíram seus próprios barcos e daí por diante a flotilha cresceu com a grande disputa entre os três construtores da época e cada qual que procurasse fazer o melhor barco de cor­rida. Os grandes iatistas como Ernani Marinho, Gerson Lopes, Dr. Cecil Broderood, Afrânio Gomes de Melo, Plínio Ayres (pioneiro da vela), os irmãos Luiz e Antonio Costa, Carlos Piatti, Teobaldo Pacheco, filho do saudoso Lafaiete Pacheco sócio fundador do CRB, Eloi Nunes Vieira, Manoel Rodrigues Filho (Manola), Luiz Soares Bahia, Claudio Meira Bastos, Agenor Pacheco e tantos outros, foram na realidade os propulsores do iatismo em alagoas.

          Com o evento dos barcos construídos de madeira, muito embora sem classe oficial, o iatismo tomou um novo impulso e os adeptos daquele magnífico esporte foram se aperfeiçoando. Nos idos de 1945, o iatismo em Alagoas apesar de ainda muito precário em matéria de técnica e equipamentos, mesmo assim era o ponto alto das manhãs domingueiras na praia da Pajuçara nos dias de regatas. Muita gente acorria à praia onde geralmente ouvia-se uma orquestra animando a grande movimentação de curiosos que se aglomerava para assistir as provas náuticas que o CRB organizava com seus iatistas. Ainda na década de 40 foi fundada a flotilha da “Lua Cheia”, organização que proporcionava passeios nas noites de luar. Quando velejávamos, tomávamos banho na piscina natural nos arrecifes e depois já em nossa garagem de barcos saboreávamos uma peixada regada a vinho branco e outras iguarias.

          Em 1950 um grupo de iatistas fez um cruzeiro Maceió/Recife/Maceió, retribuindo uma visita feita por iatistas do Cabanga Iate Clube, do Recife, em 1948. Levamos conosco o presidente do CRB na época Dr. Ulisses Marinho que capitaneou no barco Albatroz, a flotilha composta de cinco barcos: Albatroz, Clipper, Abaitaré, Santa Maria e Atrevido, deixando marcado na historia do iatismo alagoano e do Clube de Regatas Brasil, o maior feito até então praticado naquele tipo de embarcação.

Pelo seu desprendimento, coragem e amor ao Clube, o Dr. Ulisses Marinho que ainda está vivo militando em sua profissão, bem merecia uma homenagem do Clube para relembrar os bons tempos e trazer mais entusiasmo aos regateanos.

        

 

 

 

               INCOERÊNCIA

 

          São muitos os contrastes e as incoerências que presenciamos no nosso dia-a-dia; se não vejamos: -

*As propagandas de um modo geral quase sempre são enganosas, principalmente as anunciadas na TV. Aparecem “celebridades” fazendo propaganda de uma mercadoria qualquer, se dizendo usuária daquele produto quando sequer jamais manusearam ou usaram o mesmo.

*A televisão anunciando determinados programas com sendo excepcionais e que na verdade trata-se de um programa corriqueiro que não apresenta nada de especial diferente dos noticiários comuns. Os programas humorísticos deixam muito a desejar, sem graça, com artistas já ultrapassados, com quadros antigos, desgastados e sem qualquer atrativo. Outros se destacam pelas críticas, inclusive ofensivas e sem a menor graça e que a maioria das “brincadeiras” deveriam ser proibida. Os bons artistas já faleceram e os poucos que ainda restam, na sua maioria já estão superados, apenas alguns novos que ainda estão se familiarizando com a profissão. A mesma coisa acontece com todos os canais de TV. As novelas são verdadeiras imoralidades, um festival de “chupa línguas” e vez por outra em horários impróprios, quase sempre apresentam cenas de sexo. Por outro lado, as propagandas tomam a maioria dos horários nobres, forçando ao telespectador  perder a paciência e desligar o aparelho em detrimento de algum programa que por ventura esteja lhe interessando.

*Nas irradiações esportivas, a TV Bandeirante (BAND) se destaca com uma boa variedade de jogos internacionais, mas deixa muito a desejar com um de seus comentaristas que tem um péssimo sotaque e um vicio de linguagem tão forte que chega a deturpar a língua portuguesa. A direção da BAND precisa observar e corrigir esse sério problema.

*Na política andamos muito mal, escândalos em cima de escândalos. No Senado fez-se tanta arrumação que as notícias explodem lá fora. Hoje não se sabe mais se o PMDB é um partido da situação ou de oposição e nem mesmo se ainda existe. O Governo manda e desmanda no Congresso. Quando querem formar uma CPI depende do consentimento do Presidente da República. Quem não deve não teme! Por que evitar a CPI da Petrobras? É brasileira é nossa, deve ter transparência na sua administração

*Por que vândalos invadem propriedades, repartições públicas, destroem e saqueiam o patrimônio de terceiros, andam armados e cometem tantas outras arruaças, invadem as cidades deixando uma verdadeira imundície e ainda são beneficiados com o nosso dinheiro que é transformado em impostos? Não deve haver nenhuma contemplação com esse povo que está nos enganando. Ali tem muita gente rica metida com os menos favorecidos dizendo-se agricultor. Cadeia neles!!!

 

           UMA ETERMA LEMBRANÇA DO PASSADO

 

          Há 70 anos vivíamos, ainda adolescentes, na garagem de barcos do CRB, naquela esquina  do começo da praia da Pajuçara, onde se encontra hoje um prédio em ruínas substituindo uma eterna lembrança do passado. Como éramos felizes, o CRB verdadeiramente um clube nascido para o mar, à vela e remo, com uma vizinhança verdadeiramente alvi-rubra. Pela praia o João Gordo; o português Antonio Viana, Presidente da Cooperativa Lavourinha; as famílias Gonzaga e Simons e pela rua dos fundos, Rua da Caridade, o ilustre advogado Gerson Lopes; o Despachante Lauro Silva; o médico Radjalma Rego, Cláudio Araujo (vulgo Claudio Arara), Plínio Ayres, Ernani Marinho, Antonio Prazeres e tantas outras figuras benquistas da época. Todas as manhãs, na pequena quadra de voleibol no fundo da garagem de barcos, batendo uma pelada de voleibol, estavam lá também, eu e meu irmão Luiz Costa junto àquela turma de comerciantes, advogados, médicos, executivos e alguns capitães de indústria. Enquanto isso as guarnições de remadores desfrutavam a calmaria da bacia da Pajuçara singrando os grandes espaços vazios da orla até a Barra da Morte ou até a Pedra Virada. Aos domingos os iatistas disputavam uma velejada nos seus barquinhos de lona, a vela de catraia, e com muita perícia penetravam na estreita entrada da piscina natural para se deleitarem com uma manhã ensolarada de verão, com seus amigos e familiares. Os barquinhos deslizavam diante da marola, cheios de tripulantes para se banharem nas águas claras da piscina da Pajuçara, até a enchente da maré.   

           Da antiga garagem do CRB assistimos a passagem do Dirigível Zepelim, lá longe no horizonte. Assistimos, também, o encalhe nas pedras da Ponta Verde, perto da Pedra Virada, do navio Poti que culminou com mais de um mês de festa na praia, desde a Ponte do Sabão até os currais da Ponta Verde, com milhares de pessoas aproveitando-se das mercadorias jogadas ao mar no afã de desencalhar o navio.

Assistimos o Botstaka da Geobra, companhia alemã, que colocara as grandes estacas de aço na construção do Cais do Porto, se deteriorando ao lado da ponte do sabão existente na época. Talvez ainda restando até hoje a carcaça totalmente carcomida pela intempérie do tempo   

           Hoje relembramos com saudade aqueles velhos amigos do passado com quem disputávamos as regatas, uma porrinha, um bate-bola na praia ou nos fundos da garagem. Bem como, vez por outra uma calorosa discussão ou um papo sadio e amigo de tantos que já partiram para a eternidade, onde com certeza um dia também lá estaremos.

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